Autismo não é inimigo.
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quinta-feira, 18 de julho de 2013
terça-feira, 16 de julho de 2013
Atividades -Inspirados pelo autismo-
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Lei nº 12.764/2012 estabelece que autistas têm os mesmos direitos de pessoas com outras deficiências
INCLUSÃO ESCOLAR DE AUTISTAS, UM DIREITO QUE AGORA É LEI
Lei nº 12.764/2012 estabelece que autistas têm os mesmos direitos de pessoas com outras deficiências
Um tema não muito frequente tem tomado as manchetes de jornais e revistas: o autismo. As polêmicas giram em torno da Lei nº 12.764, que institui a "Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista". Sancionada em dezembro de 2012 pela presidente Dilma Rousseff, a medida faz com que os autistas passem a ser considerados oficialmente pessoas com deficiência, tendo direito a todas as políticas de inclusão do país - entre elas, as de Educação.
Pode parecer estranho criar uma lei voltada especificamente ao autismo, sabendo que já existem no Brasil diretrizes gerais para a inclusão. A medida, no entanto, faz sentido. Segundo a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), relatora do substitutivo do projeto que foi aprovado pela Câmara, "por não haver um texto específico que dissesse que os autistas são deficientes, muitos deles não podiam usufruir dos benefícios que já existem na legislação brasileira".
Falando especificamente de Educação, a lei é vista por especialistas como mais um reforço na luta pela inclusão. O texto estabelece que o autista tem direito de estudar em escolas regulares, tanto na Educação Básica quanto no Ensino Profissionalizante, e, se preciso, pode solicitar um acompanhante especializado. Ficam definidas, também, sanções aos gestores que negarem a matrícula a estudantes com deficiência. A punição será de três a 20 salários mínimos e, em caso de reincidência, levará à perda do cargo. "Recusar a matrícula já é algo proibido por lei, a medida reforça isso e estabelece a punição", comenta Mara.
ALGUMA CARACTERÍSTICAS AUTISTA
As definições, é claro, têm gerado muita discussão. Entre os argumentos de quem é contra a inclusão de autistas, aparecem sempre o receio com relação à adaptação deles e a preocupação em não forçá-los a conviver com outros alunos. O próprio texto da lei trazia uma observação relativa a isso, que foi vetada pela presidente Dilma. O parágrafo deixado de lado dizia que "ficam ressalvados os casos em que, comprovadamente (...), o serviço educacional fora da rede regular de ensino for mais benéfico ao aluno com transtorno do espectro autista".
"A ideia dessa ressalva era respeitar a decisão da família de levar ou não a criança à escola", explica Mara. Abria-se, no entanto, uma brecha para que as instituições recusassem a matrícula. "Não havia nada na lei que explicasse qual profissional iria avaliar o aluno e afirmar se ele estava apto ou não. A decisão ficaria a cargo do diretor, o que daria margem à exclusão", comenta Andréa Werner Bonoli, mãe de Théo, um garotinho autista, e autora do blog lagartavirapupa.com.br, criado para ajudar pessoas que vivem situações semelhantes às dela.
Defensora da inclusão, Andréa explica que há alguns casos mais extremos de autismo, que devem ser tratados como exceções. A grande maioria das crianças, no entanto, consegue frequentar escolas regulares e precisa desse contato com outros alunos. "A Educação Especial pode até acolher melhor e ter métodos interessantes, mas o deficiente só convive com semelhantes. O autista tem problemas com a socialização e a convivência. Ao colocá-lo em contato com outros alunos, é possível puxá-lo da zona de conforto e ajudá-lo a conviver em sociedade. Não adianta mantê-lo em uma bolha", defende ela.
A opinião é compartilhada por Rossana Ramos, professora da Universidade de Pernambuco (UPE) e autora do livro Inclusão na Prática: Estratégias Eficazes para a Educação Inclusiva. A especialista afirma que "o que faz o deficiente se desenvolver é a interação com pares diferentes dele. A criança aprende por imitação. Colocá-la em um lugar em que só há pessoas com o mesmo problema não adianta".
Mais do que leis, é preciso mudar a cultura da escola
As duas concordam, no entanto, que a inclusão não é simples e não se torna realidade apenas com a aprovação de uma lei. Por trás da discussão sobre matricular ou não crianças autistas em escolas regulares, escondem-se a falta de conhecimento sobre o problema e as dificuldades que as instituições enfrentam para lidar com a diversidade como um todo.
"Leis não vão resolver nada, a menos que existam ações voltadas à capacitação do professor e à mudança da escola", defende Rossana. É preciso rever a formação de modo a ajudar os docentes a lidar com as limitações e as dificuldades de cada aluno, com ou sem necessidades especiais. "A consciência é o que nos ajuda a incluir, e só se chega a ela por meio do conhecimento", explica a especialista.
A inclusão não deve ser apenas um desafio do professor, mas sim de toda a escola e da rede de ensino. "Os autistas têm gestos e atitudes diferentes, e incluí-los dá trabalho", comenta Andréa. "Os educadores têm de entender o autismo, compreender que aquele aluno processa as informações de maneira diferente, tem resistência a mudanças, pode ser mais sensível ao barulho. Cada uma dessas especificidades exige adaptações na rotina", complementa. É preciso, então, criar uma rede de apoio em que o professor da turma regular, o profissional do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e o coordenador pedagógico atuem em conjunto. Há que se mobilizar, também, diretores, funcionários, pais e alunos, de modo a envolvê-los em um projeto de escola inclusiva, na qual as diferenças são respeitadas e utilizadas em prol da aprendizagem.
Para que a inclusão ocorra, portanto, é preciso mais do que a aprovação de uma lei.Deve-se rever as políticas públicas atuais de modo a garantir aos educadores os conhecimentos, o tempo e a formação necessária para que os alunos não só sejam matriculados, mas também tenham garantido seu direito de aprender.
Com reportagem de Elisa Meirelles.
Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/inclusao-autistas-direito-agora-lei-732658.shtml
ESTRATÉGIAS DE ENSINO PARA AUTISTAS SE DESENVOLVEREM MAIS RÁPIDO
ESTRATÉGIAS DE ENSINO PARA AUTISTAS SE DESENVOLVEREM MAIS RÁPIDO
Essas atividades para crianças autistas devem ser para o seu divertimento e para as necessidades de um maior desenvolvimento.
Portanto, devemos primeiramente, seguir as seguintes observações:
A organização do ambiente de ensino é fundamental para que crianças com autismo permaneçam na atividade proposta e sintam-se motivadas a aprender. A desorganização do ambiente, assim como a falta de planejamento das atividades, podem causar agitação na criança, desviando seu foco.
Os locais onde a criança come, aprende e se diverte devem estar claramente sinalizados, e não é conveniente manter à sua vista excesso de materiais. Se for omomento de alimentação, por exemplo, a criança deve visualizar somente a comida, retirando-se de seu alcance jogos e evitando-se que assista à televisão.
Crianças e alunos com autismo também precisam de espaços para recreação, se possível em lugares amplos e abertos, uma vez que a maioria não gosta de lugares muito fechados.
A utilização de materiais visuais, como fotografias e ilustrações, também são úteis no processo de educação de crianças com autismo, pois elas possuem grande capacidade de armazenar imagens em seus cérebros. As imagens são úteis tanto para a aprendizagem quanto para o desenvolvimento da comunicação e para aumentar sua compreensão e regular seu comportamento social.
Ao ensinar à criança como cumprimentar as pessoas, por exemplo, é importante mostrar um cartaz ou fotografia de mãos se apertando.
Ao anunciar a hora do recreio, o professor pode mostrar uma fotografia do parque da escola, e ao encerrar as atividades do dia, pode mostrar uma ilustração de casa, para indicar à criança que ela agora retornará ao seu lar.
A seguir apresentamos um guia com sugestões de atividades divertidas, lúdicas e educativas para que as crianças autistas terem um desenvolvimento mais rápido.
Agende meu dia
Crianças com autismo respondem fortemente a um dia bem programado. Faça da criação da agenda um jogo com estas ideias:
- Corte imagens (de revistas ou da internet) de atividades cotidianas, como escovar os dentes e almoçar: Faça com que o seu filho crie uma agenda para o seu dia colando essas atividades em um cartaz na ordem em que ele vai realizá-las. Guie-o através desse processo, certificando-se de que ele se lembra de quais atividades vão juntas (como a hora do banho e a hora de dormir) e o tempo adequado do dia para cada atividade (café da manhã de manhã, jantar à noite).
- Mantenha uma lista de verificação em um quadro branco. Então, à medida que seu filho complete a sua rotina diária, ele pode marcar as atividades que ele tenha terminado e verificar quais são as atividades seguintes. Este tipo de rotina será suave e confiável para ele.
Atividade Física
O desenvolvimento de habilidades motoras básicas é essencial para crianças autistas.
Tente estas idéias de brincadeiras divertidas:
- Brinque na piscina: Deixe seu filho brincar com a água, ou cante para ele enquanto ele nada com a música. Certifique-se de ficar de olho para mantê-lo seguro.
- Crie uma pista de obstáculos: Organize equipamentos de brincar, bambolês e cadeiras no quintal. Incentive seu filho a percorrer o caminho, praticando uma variedade de movimentos(pular uma corda, correr em um círculo ao redor do bambolê, etc.).
- Faça uma festa de dança: Toque uma variedade de estilos musicais e deixe o seu filho se mover com a música. Dance com ele, para que ele possa ver o que fazer e não se sinta sozinho durante a atividade.
Jogos para a mente
Tente estas atividades para manter seu filho pensando e crescendo:
- Obtenha um recipiente grande de plástico, e coloque um brinquedo pequeno dentro: Em seguida, encha o recipiente com arroz ou feijão, e faça com que o seu filho cave para encontrar o brinquedo. Ele pode fazer um pouco de bagunça, mas ele vai se divertir.
- Faça esculturas: Faça barro em casa ou compre em uma loja e deixe a criança moldá-lo e quebrá-lo do jeito que ela escolher.
- Explore seu mundo: Leve seu filho para uma caminhada e deixe-o ver o mundo ao seu redor. Visite um museu onde se pode encontrar algo que chame a sua atenção, ou ande pela natureza e observe todas as criaturas e plantas que encontrar.
Fontes: Desafiando el autismo
http://www.ehow.com.br/
DESORDEM SENSORIAL - HIPERSENSIBILIDADE E HIPOSSENSIBILIDADE AUDITIVA NOS AUTISTAS
DESORDEM SENSORIAL - HIPERSENSIBILIDADE E HIPOSSENSIBILIDADE AUDITIVA NOS AUTISTAS
Muitas crianças com Espectro Autista reagem de forma incomum ao mundo ao seu redor.
Isto acontece porque elas podem não sentir as coisas da mesma forma que você. Seu filho pode ser hipersensível a certas sensações, o que significa que uma pequena quantidade da sensação pode estimulá-lo intensamente.
Se o seu filho é hipersensível, ele pode se afligir e tentar evitar as sensações que o incomodam.
Ao mesmo tempo, seu filho pode ser hipossensível a certas sensações e buscá-las, porque é necessária uma grande quantidade da sensação para estimulá-lo.
Crianças que são hipossensíveis ao movimento são particularmente ativas, porque correm de um lado para o outro, balançam o tronco ou pulam buscando provocar as sensações que precisam.
Por outro lado, há crianças que são hipossensíveis às sensações, e mesmo assim sãopassivas.
Elas mal reagem ao mundo à sua volta, porque não estão obtendo estímulos suficientes.
Fonte: estouautista.com.br
CARA A CARA – pensamentos de duas pessoas com autismo.
Olá pessoal!
Nesse post retirado do mural da Carly, ela relata algumas coisas que ouviu da Temple e expressa também sua própria opinião. Foi difícil traduzir ao pé da letra, mas a ideia central está bem clara. Resolvi traduzir porque achei interessante expor aqui para vocês a forma como ambas se sentem. Elas parecem estar nos alertando para o fato de que os autistas que conseguem se expressar devem ser ouvidos à respeito das inúmeras conclusões e decisões que afetam seu dia-a-dia. Conclusões e decisões estas que são tomadas, documentadas e “sacramentadas” por pessoas que não tem autismo e que, na maioria das vezes, não ouviram pessoas que estão no espectro.
Me parece ser um assunto bem vasto que provocará muitas reflexões nos pais, médicos, pesquisadores e terapeutas. Até porque o autismo abriga muitas diferenças dentro da própria diferença. Nem todos os autistas encontraram um caminho para expressão de suas vozes. Contudo, quando olhamos para a Temple, uma autista de alto funcionamento e depois olhamos a Carly que, se julgada apenas pelo comportamento exterior e ausência da fala, “deduz-se” pertencer a uma outra “camada” do espectro, podemos dizer que TODOS eles têm uma voz interior SIM!
Hoje mesmo me deparei com a história desse rapaz que, aos 20 anos, começa a digitar num I-Pad e passa a comunicar-se com a família pela primeira vez. Surpreendente!
Também essa semana li um post interessantíssimo que ressaltava o fato de que não podemos fazer relação entre a ausência da fala no autista e o nível de seu Q.I.
Jamais assumir que aquele rapaz não-verbal que só se balança fazendo seu mantra não está aprendendo nada na escola ou na própria “escola da vida”. Nunca pensar que pode falar o que quiser na frente daquela menina caladinha que não responde nem ao chamado do próprio nome.
Eu sempre digo uma coisa às mães com quem converso: ISOLAMENTO NÃO É SURDEZ, AUSÊNCIA DE LINGUAGEM VERBAL NÃO É AUSÊNCIA DE INTELIGÊNCIA!
Semana passada na novela “Amor à Vida” o terapeuta deu uma bronca na mãe da Linda que afirmou que eles podiam continuar conversando sobre diversos problemas na frente dela afinal “a Linda não está prestando atenção”.
Eu creio que o que a Carly e a Temple querem deixar claro nessa breve conversa abaixo é que, por mais importantes que sejam as pesquisas e avaliações diagnósticas elaboradas pelos especialistas, a PALAVRA DO PRÓPRIO autista não pode ser ignorada, por razões óbvias. A Carly, sutilmente, (pelo menos é o que eu leio nas entrelinhas) também chama a nossa atenção para o fato de que antes de “serem um diagnóstico de autismo” eles são INDIVÍDUOS com suas peculiaridades que muitas vezes destoam do “protocolo”.
O texto abaixo foi retirado do mural da Carly do Facebook. (tradução livre: Evellyn Diniz)
Com a palavra: Carly Fleishmann e Temple Grandin:
CARA A CARA – pensamentos de duas pessoas com autismo. É hora de sermos ouvidos!
Temple Grandin diz sobre o DSM-5: “Parece um diagnóstico dado por um comitê”!!
Ao falar sobre mim (Carly) a Temple reforça um pensamento sobre o qual ambas concordamos: os médicos e os cientistas devem ouvir as pessoas com autismo, pois são as que podem de fato explicar o autismo.
Como eu sempre digo: por que perguntar a um pato o que há de errado com o cavalo quando você poderia perguntar diretamente ao cavalo? Uma boa maneira de ajudar as pessoas com autismo é começar a ouvir as pessoas com autismo.
Temple Grandin sugere: Ao invés de – ou, pelo menos, além de – encaminhar indivíduos para estudos pelo seu diagnóstico de autismo, deveríamos encaminhá-los pelos seus principais sintomas individuais. Um exemplo disso para mim é a descrição da Carly Fleischmann sentindo-se super estimulada no Café (vejam link desse video).
Eu acho que os pesquisadores devem parar de ignorar esses auto-relatos e começar a olhar para eles com muito cuidado e, além disso, iniciarem tentativas de extrair novos relatos (de outras pessoas com autismo) para serem usados em novas pesquisas. Em seguida, eles devem colocar essas pessoas em estudo baseando-se em seus relatos.
Obrigado Temple, eu não poderia ter dito melhor!
Bonequinho de Bexiga para trabalhar expressões
Bonequinho de Bexiga para trabalhar expressões
Pura diversão! As crianças encheram as bexigas com farinha, usando um funil, depois eu puxei uma bolotinha e amarrei formando o nariz, colamos (cola de contato) nariz e cabelo, deixamos secar de um dia para o outro, a boca foi feita com aquelas canetas de escrever em cd.
Dicas: Não encher muito, porque senão estoura fácil; melhor usar bexiga São Roque nº 7, são mais resistentes.
O desafio da educação para autistas
O desafio da educação para autistas
Por Laís Muniz - lais.muniz@folhadirigida.com.br
Rosani da Costa e Augusto Espindola, junto com o filho Felipe: tentativa de colocar a criança em uma escola recular não foi bem sucedida
Ao observar de maneira superficial o comportamento de uma pessoa autista, costuma-se chegar à seguinte conclusão: portadores do distúrbio criam um mundo paralelo, onde vivem e interagem com elementos que só eles conhecem. A ideia nasce da relação erroneamente estabelecida entre aparência e realidade. É importante entender que o autismo, ou espectro autista, afeta as capacidades de comunicação e socialização do indivíduo, o que provoca mudanças nas suas reações a estímulos do meio externo. Isso não significa, porém, que ele esteja imune a estes estímulos.
No meio científico, a hipótese mais aceita pelos especialistas é a de que o transtorno se desenvolve no sistema neurológico, comprometendo-o quimicamente. Entre os principais sintomas, estão dificuldades na fala, falta de fixação do olhar, repetição de movimentos e desvios de natureza motora. As características se manifestam em escalas diversas de acordo com cada caso e podem aparecer ou não nos primeiros anos de vida. Quando se trata de autismo, em geral, não é possível fazer generalizações.
A singularidade se estende ao processo de aprendizagem do estudante. Rosa Maria Prista, fundadora do Centro de Estudos da Criança (CEC), afirma que “as crianças autistas, assim como todos nós, têm a tendência natural de evoluir, mas precisam receber os estímulos adequados”.
A psicóloga e educadora frisa a importância do acompanhamento especializado desde os primeiros sinais do distúrbio, que prefere chamar de “estado de ser”. A Escola de Autistas, parte do CEC, conta com profissionais que trabalham as habilidades de seus alunos, na medida em que eles apresentam avanços.
Integração com outros alunos feita aos poucos
Como a principal dificuldade dos autistas aparece no momento da interação, as crianças costumam passar por um período inicial de terapia, em que são estimuladas noções de limitação de espaço. Para isso, são utilizadas técnicas de exploração do ambiente em que se dão os encontros, manuseio de objetos e exercícios musicais. Quando o autista aprende a se relacionar bem dentro desse esquema, o passo seguinte é promover a sua integração ao grupo.
A partir daí, percorre-se um caminho duplo: as atividades coletivas buscam desenvolver tanto a inteligência psicológica como também a acadêmica. Os métodos utilizados para o estímulo à aprendizagem se diferenciam do padrão em diversos aspectos, a começar pelo tamanho das turmas. “Aqui, os grupos são formados por quatro crianças. Cada uma tem um casal de tutores, que criam o referencial das figuras feminina e masculina, nem sempre presentes em suas casas”, explica Rosa. Segundo ela, uma estrutura externa bem construída é fundamental para a percepção do autista acerca de sua própria individualidade.
Nesse sentido, surge a seguinte dúvida: as escolas tradicionais estão preparadas para receber alunos autistas? Márcia Righetti é diretora da Aldeia Montessori, cujo método de ensino baseia-se no exercício da livre escolha e no respeito ao ritmo de cada criança. Para ela, parece uma tarefa difícil, em escolas com turmas regulares, atender com o devido cuidado pedagógico um aluno que tenha autismo. “Em uma escola em que todos fazem a mesma coisa ao mesmo tempo, o professor precisaria ser excepcional para dar a atenção necessária a essas crianças”.
Trabalho com profissionais especializados ajuda no progresso
Assim como Rosa, a diretora acredita ainda que o apoio de profissionais capacitados é um fator determinante na trajetória acadêmica dos pequenos. Esta qualificação dos professores envolvidos pode, nesse caso, facilitar o processo do estudante.
Aldeia Montessori é uma escola não especializada, que recebe portadores e não portadores de deficiências ou distúrbios. A diretora conta como foram as experiências com autistas. “Em geral, eles desenvolveram melhor capacidade de uso do controle inibitório, o que favorece a interação com o grupo; e apresentaram maior aceitação das regras sociais, graças à construção de rotinas que permitem ao aluno se inserir no contexto escolar. É um trabalho sistemático, de alguns anos, que traz resultados”, destaca Márcia Righetti.
Ela aponta ainda a importância da interação com outras crianças, e conta que muitos pais sentem certa resistência em relação a isso. Neste momento, vale lembrar que uma inclusão responsável permite que laços de afeto se formem, o que torna a convivência positiva para todos os envolvidos. “Ter um padrão de comportamento social para espelhar-se faz a diferença para a criança com necessidades educacionais especiais”, completa. As diferenças fazem, mais do que nunca, um papel de complementação na formação tanto social como acadêmica do indivíduo.
Participação da família faz a diferença
O autismo vem se tornando um pouco mais conhecido dos brasileiros com a personagem Linda, vivida por Bruna Linzmeyer, na novela Amor à Vida, da TV Globo. A atriz vive uma adolescentes autista que, por um lado, sofre com o preconceito da irmã Leila (Fernanda Machado) mas, por outro lado, recebe todo o apoio e compreensão da mãe Neide (Sandra Coverloni).
O caso da novela mostra o quanto a atuação da família é fundamental para o processo de desenvolvimento e de aprendizagem da criança autista, desde o momento em que a presença do distúrbio é identificada. Muitos pais ainda hesitam na hora de procurar instituições especializadas. Foi o caso de Rosani da Costa e Augusto Espínola que chegaram a matricular o filho em uma escola regular, mas à qual o aluno não conseguiu adaptar-se.
“No início, tentamos colocá-lo na escola pública, mas não deu certo. Ele estava na primeira série e ainda não conseguia sentar na cadeira. Além disso, precisávamos segurar a porta da sala para que ele não fugisse, então percebi que aquele não era o caminho”, conta a mãe de Felipe, de 10 anos. Hoje, depois de quatro anos na Escola de Autistas, ele adora andar e já começou a comer sozinho, o que se mostrava um desafio.
A principal dificuldade encontrada é, justamente, a relação de dependência que costuma se estabelecer entre pais e filhos. Na intenção de sempre ajudar as crianças, os responsáveis, muitas vezes, exageram e acabam por limitar as possibilidades de autodesenvolvimento de um autista.
“A tendência natural dos pais é a de fazer a vontade dos filhos. Isso não pode acontecer. Se a criança tiver sempre tudo na mão, não tomará a iniciativa de fazer algo sozinha. Esta é uma das coisas que tento mostrar aqui”, explicou Alessandra Fabre, psiconutricista do CEC que atua na Escola de Pais, uma extensão da Escola de Autistas. “Precisamos entender a vontade deles, mas não podemos nunca servir de instrumento. O não-exercício agrava o autismo”, completa Rosa Prista.
Da parceria entre escola e família, nasce um relacionamento pautado na confiança e no apoio mútuo. O comportamento dos alunos é sempre assunto nas reuniões. “Uma vez, o Jonas me contou sobre as atividades do dia, ainda que de maneira um pouco desconectada. Quando cheguei aqui, conversamos e percebi que as coisas tinham realmente acontecido. Ter esse retorno é muito importante e nos deixa mais próximos dos nossos filhos”, contou Luciane Bomfim. E quando o que é aprendido na escola ganha continuidade dentro de casa, o desenvolvimento da criança ocorre mais rápido e, principalmente, de maneira saudável.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
A Foca,esse material é baseado no método TEACCH.
Encontrei as figuras na internet e confeccionei este material. tenho uma crianças que adora a música da foca.
Este material é baseado no método TEACCH.
Confeccionei este material de pareamento de números baseado no método TEACCH
Pareamento de números baseado no método TEACCH. Trabalhando conceitos de números, coordenação, percepção visual...Esse é bem fácil adaptar e com certeza vai contribuir muito com o desenvolvimentos de nossas crianças de forma lúdica.
domingo, 14 de julho de 2013
Menino autista desacreditado por médicos é cotado para prêmio Nobel
Menino autista desacreditado por médicos é cotado para prêmio Nobel
Postado em: 17 mai 2013 às 22:55
Menino autista gênio da física é cotado para um dia levar Nobel. Médicos diziam que ele provavelmente não aprenderia a ler. Hoje, especialistas afirmam que QI do jovem é superior ao de Albert Einstein
Aos dois anos de idade, o jovem americano Jacob Barnett foi diagnosticado com autismo, e o prognóstico era ruim: especialistas diziam a sua mãe que ele provavelmente não conseguiria aprender a ler ou sequer a amarrar seus sapatos.
Mas Jacob acabou indo muito além. Aos 14 anos, o adolescente estuda para obter seu mestrado em física quântica, e seus trabalhos em astrofísica foram vistos por um acadêmico da Universidade de Princeton como potenciais ganhadores de futuros prêmios Nobel.
O caminho trilhado, no entanto, nem sempre foi fácil. Kristine Barnett, mãe de Jacob diz que quando criança, ele quase não falava e ela tinha muitas dúvidas sobre a melhor forma de educá-lo.
“(Após ser diagnosticado), Jacob foi colocado em um programa especial (de aprendizagem). Com quase 4 anos de idade, ele fazia horas de terapia para tentar desenvolver suas habilidades e voltar a falar”, relembra.
“Mas percebi que, fora da terapia, ele fazia coisas extraordinárias. Criava mapas no chão da sala, com cotonetes, de lugares em que havíamos estado. Recitava o alfabeto de trás para frente e falava quatro línguas.”
Jacob diz ter poucas memórias dessa época, mas acha que o que estava representando com tudo isso eram padrões matemáticos. “Para mim, eram pequenos padrões interessantes.”
Estrelas
Certa vez, Kristine levou Jacob para um passeio no campo, e os dois deitaram no capô do carro para observar as estrelas. Foi um momento impactante para ele.l
Meses depois, em uma visita a um planetário local, um professor perguntou à plateia coisas relacionadas a tamanhos de planetas e às luas que gravitavam ao redor. Para a surpresa de Kristine, o pequeno Jacob, com 4 anos incompletos, levantou a mão para responder. Foi quando teve certeza de que seu filho tinha uma inteligência fora do comum.
Alguns especialistas dizem, hoje, que o QI do jovem é superior ao de Albert Einstein.
Jacob começou a desenvolver teorias sobre astrofísica aos 9 anos. No livro The Spark (A Faísca, em tradução livre), que narra a história de Jacob, ela conta que buscou aconselhamento de um famoso astrofísico do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, que disse a ela que as teorias do filho eram não apenas originais como também poderiam colocá-lo na fila por um prêmio Nobel.
Dois anos depois, quando Jacob estava com 11 anos, ele entrou na universidade, onde faz pesquisas avançadas em física quântica.
Questionada pela rede BBC que conselhos daria a pais de crianças autistas – considerando que nem todas serão especialistas em física quântica -, Kristine diz acreditar que “toda criança tem algum dom especial, a despeito de suas diferenças”.
“No caso de Jacob, precisamos encontrar isso e nos sintonizar nisso. (O que sugiro) é cercar as crianças de coisas que elas gostem, seja isso artes ou música, por exemplo.”
CRIANÇAS AUTISTAS NA ESCOLA
CRIANÇAS AUTISTAS NA ESCOLA
Inclusão de crianças portadoras de autismo na rede de ensino regular é essencial para o desenvolvimento de suas habilidades. Saiba como identificar o autismo infantil e o caminho certo para o desenvolvimento das crianças.
Texto: Diego Benine/Fotos: Shutterstock, Divulgação/Adaptação: Letícia Maciel
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Inserir o autista na sala de aula é a melhor forma de estimular as capacidades do portador.
Foto: Divulgação.
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A professora entra na sala no primeiro dia letivo na escolinha e a criançada, cheia de energia, conversa e brinca para aliviar as expectativas. A única exceção é um garotinho sentado na primeira fileira: calado, permanece o tempo todo com os olhos fixos em um ponto indetectável pelos colegas de classe. Até que, durante a aula, ele repentinamente se levanta e começa a passear pelo recinto. Ao tentar levá-lo para a carteira onde ele estava sentado, a professora é surpreendida com gritos, arranhões e pontapés. Em seguida, o silêncio. O menino fecha-se novamente em seu universo particular. Esse tipo de comportamento é comum em portadores de autismo e acaba escondendo suas habilidades criativas e intelectuais — as quais podem ser desenvolvidas com acompanhamento adequado e vivência escolar. Contudo, as reações aparentemente desconexas representam também uma das muitas dificuldades que os educadores, pais e familiares encontram para inserir o autista na sala de aula. Quando bem-sucedida, a inclusão escolar traz benefícios à criança e às pessoas que convivem com ela.
Mais informação, melhor inclusão
“Inserir o autista na sala de aula é a melhor forma de estimular as capacidades do portador. Além disso, as outras crianças da turma aprendem a lidar com as diferenças e tornam-se adultos com menos preconceitos”, explica César de Moraes, coordenador do Departamento de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). “Devemos lembrar também o que é definido na Constituição: todo cidadão tem direito à saúde e educação. Partindo dessa premissa, o autista é um cidadão e o processo educacional é o mesmo”, completa Fábio Oliveira, da Associação Brasileira de Assistência e Desenvolvimento Social (Abads). Para contribuir efetivamente com esse processo, é preciso entender o que, de fato, é o autismo. De acordo com Francisco Baptista Assumpção Júnior, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), trata-se de um transtorno de desenvolvimento de base biológica que compromete a cognição (habilidade ligada ao aprendizado, memória, percepção, entre outros atributos) e provoca alterações na sociabilidade, nalinguagem e na capacidade imaginativa do indivíduo. Sua causa ainda é um mistério. “Acredita-se quefatores genéticos estão envolvidos, embora aspectos ambientais como quadros infecciosos ou traumáticos — também podem estar relacionados. Assim, não se deve pensar em uma causa única, mas sim em um conjunto delas, o qual ainda, infelizmente, não foi esclarecido.”
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Alterações na linguagem e na capacidade
imaginativa são sinais de autismo. Foto: Shutterstock. |
O autismo possui graus de intensidade. Segundo o médico, quadros mais severos normalmente são acompanhados de total isolamento e mutismo , quando o indivíduo não fala ou de linguagem e movimentos estereotipados intensos. “É diferente dos casos mais leves. Nestes, as alterações no falar são sutis e envolvem, muitas vezes, uma linguagem pedante ou a criação de neologismos (inventar palavras)”, afirma Francisco. O psiquiatra César enfatiza que essa condição não deve ser confundida com retardo mental. “De forma alguma podemos afirmar que são a mesma coisa. Apesar da maioria dos indivíduos autistas apresentarem o retardo associado, por volta de um quinto deles possui um nível intelectual normal”, afirma. Sabe-se também que algumas crianças que possuem o distúrbio apresentam habilidades extraordinárias, como memória fotográfica, aptidão para realizar cálculos matemáticos complexos ou afinidade com instrumentos musicais.
E as escolas, como vão?
Segundo Fábio, a inclusão só acontece quando a família mapeia detalhadamente todos esses sintomas e informa a instituição de ensino a respeito deles. Esta, por sua vez, deve contar com as metodologias adequadas para ajudar a criança a suprir suas deficiências. Entretanto, o desafio não está somente nas características do autista ou no diálogo entre família e educador. A viabilização financeira dos métodos especializados de ensino também é um problema. “Por meio deles, é possível reduzir a incidência de comportamentos inadequados e ajudar o autista na organização do seu dia a dia, bem como na tarefa de se comunicar com os outros e de ingressar em qualquer espaço. No entanto, são metodologias caras e de serem implantadas. Além de ser necessário profissionais qualificados, o que ainda é um pequeno número no pais”, ressalta. Em dezembro de 2012, foi sancionada a lei que classifica o autista como deficiente. Ela não apenas garante proteção aos direitos do portador, como também torna sujeito à punição gestores escolares que se recusarem a matricular indivíduos com suspeita ou diagnóstico de autismo. Para o pedagogo, isso representa mais do que um conjunto de benefícios legais: “Daqui cinco anos, mais ou menos, o Brasil saberá muito mais sobre o assunto. Será algo normatizado e bastante conhecido. Todas as escolas já terão as metodologias, o número de profissionais especializados crescerá e o portador será incluso, deixando de ser um mero ouvinte para tornar-se participante.”
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